Não há maior castigo para uma mulher do que o poder. Abrahan Lincoln (e cito essa frase muito corriqueiramente) uma vez disse que “para testar o caráter de um homem, basta dar-lhe poder”. Ele esqueceu das mulheres. Erro comum, já que em sua época dar poder a uma mulher era incumbi-la de decidir o cardápio do jantar. Readaptado esse ditado poderia ser “para testar a fibra de uma mulher, confine-a ao poder”.
Feliz e infelizmente os tempos mudaram. Os homens continuam colocando sua dignidade ante o poder. As poucas mulheres que o conseguiram, simplesmente definham. Como sempre. Só que de uma morte lenta e dolorosa rumo a solidão.
Ter poder é ser sozinho. É ter olhos em sua nuca o tempo todo. É ter rostos indignados voltados para a sua frente, esperando a misericórdia de uma decisão. É afogar-se em um mar revolto de responsabilidades. É ver o tombo eminente da perspectiva de uma montanha.
Uma mulher com poder é tudo isso. Adicionado à desconfiança. Adicionado à ameaça de que alguém use sua própria emotividade contra você. Adicionado à falta de respeito dos homens que almejam o seu patamar. Adicionado às suspeitas das mulheres que acham que suas conquistas são fruto de ações escusas.
Donzelas de ferro as chamam. São mais que isso. São feitas de ferro, fogo e rocha. Incapazes de ruir. Capazes de reprimir as próprias emoções em nome de um ideal.
Um antigo ditado espanhol diz que “por trás de todo grande homem há sempre uma mulher”. Por trás de toda grande mulher, não há nada, exceto suas próprias pegadas.
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