sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ego-ísmo

Dando continuidade ao texto da teoria dos átomos.

Eu já pirei várias vezes aqui sobre religião. Apesar de achar que mesmo esta idéia que abaixo irei apresentar se tornaria maléfica a partir do momento que rotulada de "religião", acho que isso é o mais próximo das crenças que acredito que fariam bem à humanidade. Encaremos então não tanto como religião, mas como um modo de vida.

O grande problema da religião no mundo moderno (e mesmo desde os tempos antigos) é que elas foram feitas para certas pessoas em certa época e certo contexto. Elas não foram adequadas para todas as pessoas, e essa é a grande questão. Tomemos como exemplo o caso da instituição "família", tão valorizada pela igreja católica. Todo bom católico, então, por convenção religiosa e boa aceitação nesse meio, deve constituir família. Daí temos aquelas famílias formadas por convenção, o que possivelmente é a coisa mais prejudicial possível. As consequências da necessidade de adequação a estes padrões variam da mulher que trai o marido (porque o certo para ela possivelmente não era ter um único parceiro a vida toda) até o pai que bate nos filhos.

As pessoas não foram feitas moldadas do mesmo barro (e faço questão de usar este termo, pela referência bíblica). Por isso há tanta margem para preconceitos. O certo para uma pessoa nem sempre é casar e constituir família com uma pessoa do sexo oposto (ou mesmo do mesmo sexo, apesar de isso já ser incompreensível no cristianismo). Há pessoas que nasceram para viver sozinhas, outras para sempre estarem com parceiros diferentes, outras que seria melhor que tivessem seus filhos independentemente. Por que vemos essas pessoas com olhos tão preconceituosos? Por que condenamos elas à eterna frustração pessoal? Imagino que seja pelo estigma que temos de certo e errado. Por que seria certo uma pessoa viver regrada por algo que a fará acreditar que ela é uma pessoa pior por não se enquadrar a esses padrões?

Aqui então proponho a teoria do ego-ísmo. E (como todas minhas teorias), vejo o verdadeiro egoísmo como algo inalcansável e que todos deveriam buscar. Explico. Imagine que todas as pessoas pensassem absoluta e exclusivamente no seu próprio bem. Daí, meu caro leitor, você diz: ok, seria um caos; as pessoas hoje já se matam pela falta de consideração com o outro, se todos começassem realmente a pensar só em si mesmos, o mundo seria um poço de mesquinharia. É aí que entra o ponto no qual eu quero chegar com este texto. Você só será feliz e bom plenamente se as pessoas que estiverem ao seu redor também forem. O homem é um ser puramente social. Sem se relacionar com os outros, ele definha.

Imagine, leitor, que bom seria uma sociedade em que as pessoas tivessem uma auto-estima elevada por saberem que não precisam se adequar à cabeça de outrem. E que as crenças dela sobre a própria vida não seriam censuradas, desde que não interferissem na do seu próximo. Pessoas que se sentem bem consigo mesmas são mais tolerantes com o próximo. Obviamente isso é realmente utópico, pois as crenças pessoais de indivíduo para indivíduo entrariam em choque inevitavelmente. Mas aí está a grande beleza do ego-ísmo: você só pensa em si mesmo. O que o outro pensa não te importa. Importa que você seja feliz e que o outro seja feliz para você ser feliz. É paradoxal ao extremo, mas o seu egoísmo pleno só poderá surgir do seu altruísmo pleno. Uma sociedade de tolerância. Não soa bonito?

Em suma: pessoas se sentindo valorizadas por si mesmas por terem escolhido o próprio caminho e esperando que os outros façam o mesmo. Pessoas que tem consciência que não podem impor o que pensam sobre o outro, porque isso os fará infeliz, o que a fará automaticamente infeliz.

Na prática, isso é bem diferente...

Eu sonho. Sonho com essas coisas absurdas. Se vocês me censurarem, azar. Já sou egoísta o suficiente para não ligar para estas repreensões alheias que me deixarão infeliz. 

E você?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Lições sobre a Gripe Suína

Curtiba, 4 de maio de 2009. Centenário - Campo Comprido. 10 a.m. Ouve-se:

"Sabe asiático? Então eles parece co japonês, sabe? Então, a culpa é deles, quando eles estôra a bomba. O que eu tô falano é verdade! Cês tem que acreditá ni mim. Porque eu tenho um genro japonêis e trêis neto japonêis e eu tô falano. Assim, quando eles estôra a bomba lá na ásia, os asiático coloca as coisas dentro da bomba, daí as partícula veio pelo mar. Então eles fala de gripe suína e eles tinha que culpá os peixe, porque as partículas veio tudo pelo mar quando os asiático estoraram a bomba. E eu tô falano sério, mi ovi! As pessoa fica com medo de comê carne de porco por causa da gripe, mas a culpa é dos asiático (aqueles lá que parece com japonês, mas não é). Sabe? Dentro da bomba. Dura até hoje. Isso que eles fala na tv é bobagem..."

Tive minha humilde mente muito esclarecida esta manhã.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A grande teoria dos átomos

Em homenagem àqueles que ainda não tiveram a sorte de me ver suficientemente alcoolizada para declamá-la.
Nota: os físicos e químicos quânticos perdoem os clichês e óbvios assassinatos às leis da ciência. Essa é uma viajação metafísica, não científica, me deixem pensar do jeito que eu quiser, tá?


Minha teoria tem 5 pilares principais:

1. Você é feito de átomos. E é verdade. Tudo é feito de átomos ou partes que os compõe. Além disso, eles estão sempre mudando de lugar. Os átomos que existem em você um dia podem ter pertencido a uma pedra ou à pessoa sentada ao seu lado.


2. Átomos sabem das coisas. Tudo se anula. Tudo que acontece é em busca de um equilíbrio maior. Pensem nos fundamentos básicos da química quântica (ééé, pontes de hidrogênio, camadas de valência, lembram?). Átomos se ligam para atingir o equilíbrio de seus elétrons. Todas essas ligações buscam o quase impossível equilíbrio das coisas, e por isso elas estão sempre em movimento.

A existência do ser humano, o formato das montanhas e até mesmo a razão para algumas pessoas se sentirem cronicamente infelizes são átomos se movendo em busca do equilíbrio. Não digo que se você é feliz você estará anulando a carga de alguém infeliz. Muito pelo contrário, é mais fácil que você anule a falta de energia numa pedra de gelo. Seres humanos têm cargas muito parecidas entre si para anularem uns aos outros.

Tente imaginar que seus sentimentos, pensamentos, a cor da sua pele, a hora que você nasceu, tudo foi obra de átomos que resolveram se mexer numa pequena porção do universo e voilá, aqui está você, agora, lendo isso. O destino é o acaso e não é. É pela vontade dos átomos, mas eles não têm vontade alguma. Eles simplesmente SABEM o que fazer.

3. Deus não existe, mas os átomos existem. Eles estão em todo lugar. Tudo podem e em tudo influenciam. Se na criação dos coacervados que deram origem à vida um átomo específico não estivesse presente, é possível que a vida nem existisse. E isso tanto faz para eles, eles só querem o equilíbrio de tudo.

4. Você não é nada para o Universo. Feliz isso, não? O fato de você ter nascido não significa nada para o universo. Outros tantos átomos poderiam ter anulado aquilo que você anulou. Mas os átomos escolheram a sua existência, assim do jeito que ela é. Legal, né? Se imagine como a porção atômica mais sortuda da existência agora.

5. Tudo ou nada são conceitos relativos. A vida existe pra anular algo que não necessariamente é a morte ou a ausência de vida. O universo não é o contrário da falta de matéria. O equilíbrio real das coisas talvez seja algo tão intangível para nós, que não conseguiríamos seuqer projetá-lo. Afinal, toda teoria metafísica tem que ter sua brecha para alguns mistérios, não? EU disse, átomos, são espertinhos...

p.s.: Eu tenho medo das coisas nas quais eu acredito.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

deu vontade...

só postando porque deu vontade e ninguém tem nada com isso porque eu faço o que eu quero, ok?

é sério, eu não tenho nada pra falar. mesmo.

átomos rulez! e meu cabelo tá com uma cor estranha que me faz parecer a mortícia adams, mas whatever...

kthxbye

sábado, 25 de outubro de 2008

Tales of doom - Como duas pétalas copulando dentro de um vaso d’água (VERSÃO DA BIA)

Duas gotas de chuva atingiram gêmeas a pequena poça formada no parapeito da janela. A água estremeceu, as duas ondas se sobrepuseram e sumiram juntas, como haviam aparecido. A chuva insistente durante toda a semana começava a me irritar ligeiramente.


Eu fitava as paredes como se elas fossem remediar meu tédio; como se as rachaduras fossem começar a desenhar histórias para despertar a minha curiosidade. Um exercício autista de pseudo-solidão. Cada parte isolada do cômodo despertava a minha atenção como se minha visão fosse feita de lentes fotográficas: achava um detalhe, focava, guardava na memória, esquecia.


O vaso de flores me chamou atenção. Os trovões faziam a água de mover como as ondas formadas pelas gotas amantes da janela. Há dias havia pouca luz no quarto, e as flores começaram a murchar. Havia uma roda de pétalas cor-de-rosa ao redor de vaso. Apenas duas pétalas despreocupadas flutuavam suavemente pela água. Dançavam ao ritmo das trovejadas.
Indiferentes. Livres. Sem culpa. Como se nunca tivessem pertencido à flor alguma e apenas vivessem para rodopiar pelo vaso.


Acordei da letargia causada pela contemplação do vaso. O dia cinza me deixava em estado catatônico. Uma sensação tão intensa de fome que me impedia de comer. Como se houvesse ar demais no quarto e isso fosse sufocante. Havia algum pensamento a mais que me causava certo incômodo e eu não sabia onde ele estava dentro de minha cabeça. Uma leveza tão grande de consciência que me impedia de levantar da cadeira. Elegantes contradições formando-se e se dissipando em minha mente.


É quando se chega nesse ponto que você prefere começar a fazer parte dessa composição. Não por real tristeza, mas apenas pela beleza de completar um quadro tão melancólico. Em um ímpeto puramente estético. Uma singela vontade de buscar uma foto que me traria boas más lembranças ou ouvir uma música que me desse algum aperto no peito.


Quando os meus pensamentos me cansaram, voltei a olhar o vaso. E senti muita inveja. É tão simples. Ser pétala. Ser gota. Ser onda. E esquecer ter sido flor, nuvem, água. Porque afinal, tudo sumirá. Tão melhor ser leve. Não almejar o peso, a necessidade inconveniente de marcas.
Tão mais feliz seria se simplesmente tudo pudesse ser como duas pétalas copulando em um vaso d'água.


*estilo um pouco diferente do meu estilo habitual, mas agora só consigo escrever assim, hehehe... escrito há muito tempo

Tales of doom

Faz um tempo que não posto, mas continuo escrevendo. Na verdade, é um projeto conjunto de escrita, recebi aval de um ou outro autor para publicar histórias aqui, então é possível que apareçam textos que não são meus.

Esse projeto é o Tales of Doom. Explico. Quatro pessoas num bar notam um curioso vaso de flores e imaginam que "duas pétalas copulando num vaso d'água" seria um bom título para um conto. Lançado o desafio. Os quatro escreveram um texto com esse título, cada um com sua abordagem, seu estilo. Desde então, novos títulos foram criados, e lá vamos nós!

Os posts dessa série serão devidamente sinalizados.

*doods! isso é muito massa de fazer!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Evil, evil kitty

* tema sugerido por adugeanos...

Voltando novamente às peculiaridades da minha personalidade (não vistas desde os posts Chuva e Vermelho). Na verdade, não tão peculiar assim. E eu vou mudar de assunto no meio, então whatever.


Gatos são uma paixão muito antiga também (o que dá pra perceber pelo título do blog, enfim). Estereótipos batidos de indepêndencia, frieza, agilidade, sensualidade, blábláblá, agora eu passo. Pego o meu preferido (também batido) pra finalmente deslanchar esse texto: mistério.

Porque gato, é claro, um bicho misterioso. Eles não são cachorros que você estampado na cara (e em toda a linguagem corporal deles) o que querem. Gatos fazem o que dá na telha. Como desconfiar que aquele gatinho fofíssimo dois minutos depois estaria dando dentadas na sua canela? De coisa fofucha à evil, evil kitty em dois toques.

É meio que com pessoas também. Cascas contam muito pouco. E daí a gente entra no outro blábláblá do Freud e suas projeções e tal. Não estudei psicologia pra saber, mas às vezes quem projeta essa imagem não é a cabeça do interlocutor, mas o próprio lobo em pele de cordeiro. Aliás, isso é bem recorrente.

E o grande problema é que você acaba se definindo por uma imagem que você criou, que o outro percebeu e te falou e você toma como verdade. Deu pra entender? É como se você acreditasse na sua própria mentira porque alguém achou que era verdade. O grande problema é não saber mais quando é mentira.

Nesse ponto, todo mundo é um pouco esquizofrênico (ou não? sou só eu? ok. tá certo). Uma pequena Matrix íntima, dal nenhuma pílula-que-cor-que-seja irá te soltar.

Por isso, você deve desconfiar. De gatos e de pessoas misteriosas. E de pessoas quietas demais, ou espontâneas demais. Aliás, parafraseando sábio Fox Mulder (hehe) "Trust no one". Por que tudo afinal pode e será mentira quando tiver a chance. Uma grande encenação, quando a maioria das pessoas gostaria de estar nas coxias.

Aliás, só pra ser mais chata. Tudo é uma absoluta convenção. Por isso é tão fácil que uma mentira se torne verdade. E vice-versa. Esqueça o que eu disse e siga como está. Se tudo é convencionado, tudo o que você fizer, vai continuar tudo na mesma anyway.

Tudo é mentira. Nada é mentira. Como saber? Por que saber, afinal?


* sim, eu sou uma evil, evil kitty... hehe... e sim, férias me deixam bem doida, quem disse que eu escrevo pra vocês, hein? hein?