Dando continuidade ao texto da teoria dos átomos.
Eu já pirei várias vezes aqui sobre religião. Apesar de achar que mesmo esta idéia que abaixo irei apresentar se tornaria maléfica a partir do momento que rotulada de "religião", acho que isso é o mais próximo das crenças que acredito que fariam bem à humanidade. Encaremos então não tanto como religião, mas como um modo de vida.
O grande problema da religião no mundo moderno (e mesmo desde os tempos antigos) é que elas foram feitas para certas pessoas em certa época e certo contexto. Elas não foram adequadas para todas as pessoas, e essa é a grande questão. Tomemos como exemplo o caso da instituição "família", tão valorizada pela igreja católica. Todo bom católico, então, por convenção religiosa e boa aceitação nesse meio, deve constituir família. Daí temos aquelas famílias formadas por convenção, o que possivelmente é a coisa mais prejudicial possível. As consequências da necessidade de adequação a estes padrões variam da mulher que trai o marido (porque o certo para ela possivelmente não era ter um único parceiro a vida toda) até o pai que bate nos filhos.
As pessoas não foram feitas moldadas do mesmo barro (e faço questão de usar este termo, pela referência bíblica). Por isso há tanta margem para preconceitos. O certo para uma pessoa nem sempre é casar e constituir família com uma pessoa do sexo oposto (ou mesmo do mesmo sexo, apesar de isso já ser incompreensível no cristianismo). Há pessoas que nasceram para viver sozinhas, outras para sempre estarem com parceiros diferentes, outras que seria melhor que tivessem seus filhos independentemente. Por que vemos essas pessoas com olhos tão preconceituosos? Por que condenamos elas à eterna frustração pessoal? Imagino que seja pelo estigma que temos de certo e errado. Por que seria certo uma pessoa viver regrada por algo que a fará acreditar que ela é uma pessoa pior por não se enquadrar a esses padrões?
Aqui então proponho a teoria do ego-ísmo. E (como todas minhas teorias), vejo o verdadeiro egoísmo como algo inalcansável e que todos deveriam buscar. Explico. Imagine que todas as pessoas pensassem absoluta e exclusivamente no seu próprio bem. Daí, meu caro leitor, você diz: ok, seria um caos; as pessoas hoje já se matam pela falta de consideração com o outro, se todos começassem realmente a pensar só em si mesmos, o mundo seria um poço de mesquinharia. É aí que entra o ponto no qual eu quero chegar com este texto. Você só será feliz e bom plenamente se as pessoas que estiverem ao seu redor também forem. O homem é um ser puramente social. Sem se relacionar com os outros, ele definha.
Imagine, leitor, que bom seria uma sociedade em que as pessoas tivessem uma auto-estima elevada por saberem que não precisam se adequar à cabeça de outrem. E que as crenças dela sobre a própria vida não seriam censuradas, desde que não interferissem na do seu próximo. Pessoas que se sentem bem consigo mesmas são mais tolerantes com o próximo. Obviamente isso é realmente utópico, pois as crenças pessoais de indivíduo para indivíduo entrariam em choque inevitavelmente. Mas aí está a grande beleza do ego-ísmo: você só pensa em si mesmo. O que o outro pensa não te importa. Importa que você seja feliz e que o outro seja feliz para você ser feliz. É paradoxal ao extremo, mas o seu egoísmo pleno só poderá surgir do seu altruísmo pleno. Uma sociedade de tolerância. Não soa bonito?
Em suma: pessoas se sentindo valorizadas por si mesmas por terem escolhido o próprio caminho e esperando que os outros façam o mesmo. Pessoas que tem consciência que não podem impor o que pensam sobre o outro, porque isso os fará infeliz, o que a fará automaticamente infeliz.
Na prática, isso é bem diferente...
Eu sonho. Sonho com essas coisas absurdas. Se vocês me censurarem, azar. Já sou egoísta o suficiente para não ligar para estas repreensões alheias que me deixarão infeliz.
E você?