sábado, 2 de fevereiro de 2008

Vermelho - parte 2

Depois da minha não tão breve introdução sobre a “teoria do vermelho”, vamos a parte divertida. E é nesse ponto que o vermelho vira carmim. Por n razões, mas o vermelho que abordo agora é o carmim. E ponto final.
Voltando ao vinho (que sou suspeita para falar sobre). Trevas e paixão. Só consigo pensar nessa equação como resultando tirania. Pois veja que coincidência! Não seria o vinho e o carmim as cores oficiais da nobreza européia? A primeira fase de exploração natural brasileira consistia em nada mais nada menos do que adquirir o pau-brasil, principal ingrediente na obtenção do corante carmim, para que pudesse enfeitar as elegantes e invejadas vestimentas de nossa querida nobreza portuguesa (com certeza!).
E agora entremos na simbologia do carmim em especifico. Disse Valentino “Uma mulher de vermelho esta sempre bem-vestida”. Naturalmente não são todas que podem usar vermelho. Apenas rainhas usam vermelho. Apenas rainhas, da segurança de sua tirania, podem usar vermelho. Princesas, em sua passividade, nunca usam vermelho. Leia qualquer conto de fadas. As mais ousadas usam rosa. Para as outras sobram a pureza do branco e a apatia do azul.
Já que mencionamos rainhas, lembremos de Cleópatra, banindo as servas que ousavam usar SUA cor para colorir as unhas. E entrando no terreno da maquiagem, ate metade do século XX nenhuma mulher brasileira (livre ou corajosa o suficiente), passaria batom nos lábios. Passaria carmim.
Indo agora para o divertido mundo das maravilhas de Alice. Certa era a Rainha de Copas ao mandar cortar as cabeças das cartas de paus que haviam plantado rosas brancas no lugar das “rosas cor de carmim”. Como ela viveria num reino em que nem as flores reafirmavam seu poder apenas pelo fato de existirem? Ela certamente seria o Rei de Copas se não o fizesse, tão irrelevante quanto o bobo da corte.
Em Alice através do Espelho, uma curiosa troca. As pecas do xadrez que guiam a historia não são as tradicionais pretas e brancas. Torna-se vermelhas e brancas. A interpretação, cabe a vocês.
Agora para dar um nó na cabeça de todos. Sendo o carmim a cor da tirania, porque foi adotada como a cor da fraternidade durante a Revolução Russa? Lissitzky, com suas colagens construtivistas, explicaria. Alias, mais uma relação curiosa. Por que seriam as cores do construtivismo russo o vermelho, o preto e o branco?
Vou podar minha mente por hora. Qualquer outra relação será muito bem-vinda.
(Eu só faço isso, porque realmente, essa não
é uma cor qualquer.)


*Próxima postagem: Chuva

Um comentário:

Anônimo disse...

Você combina conhecimentos em todos os aspectos e relaciona-os com uma observação sensível...Eu realmente não sei como pode uma pessoa assim conseguir não achar-se demais^^
Porque é.

Te adoro!
Bjuss!