sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Rosas Amarelas

em homenagem a Odete Wolanski, eterno cisne, a quem devo inúmeras rosas amarelas.


Nem todos os professores de meu curso podem ser considerados sábios. Mas curiosamente, um dos que considero mais inaptos para exercer a profissão foi o que me deu (sem querer) a idéia para este texto. Disse ele um dia que, tentando reconquistar a confiança de uma amiga, a presenteou com um buquê de rosas amarelas. Do alto de sua fleuma, a dita colega respondeu-lhe que rosas amarelas eram um signo da saudade. Frustrado ficou meu professor por errar na simbologia do presente, mas acertou em cheio ao contar-nos esta anedota.

Uma das frases mais memoráveis de Milan Kundera em “A insustentável leveza do ser” diz que “o amor surge de uma metáfora”. Quantos romances, pergunto-me, não se concretizaram por, como meu professor, inaptidão de uma das partes ao se expressar um símbolo? E quantos outros tantos não surgiram de uma má interpretação de outro signo?

Assim como na literatura, é preciso habilidade para ler as metáforas no amor. Infelizmente, são muitos os analfabetos nesse assunto e muitos os que poderiam ter tido melhores chances de uma vida não solitária se lhes fosse obvia a metáfora. Tanto aqueles que não as lêem como também não criam as metáforas.

Tudo requer prática, mas o que esperar de um analfabeto quando um lápis é jogado em suas mãos e lhe pedem para escrever um poema? Há inúmeras possibilidades. Ou ele jogará o lápis fora e fingirá que o assunto não é com ele; ou rabiscará umas meias palavras tortas e totalmente ininteligíveis; ou ainda, para não se sentir excluído, elaborará um discurso incrível e lógico, tentando desviar a atenção de seu analfabetismo para um outro ponto que considere forte.

É obvio que, em todas essas variáveis, o analfabeto falha criticamente em sua tarefa de escrever o poema.

Talvez esse seja o grande problema: os poemas, esse conjuntos malditos de metáforas.

Proponho, assim, uma campanha em prol do texto técnico.

*Próxima postagem: Tiranos de todo o mundo, uni-vos!

**P.S.: depois de temas como Deus e o Amor (sooo girly!), voltarei com a acidez cômica habitual. Prometo.

Um comentário:

Anônimo disse...

amei esse lado 'girly'

hehe

te adoro^^